Vício em tecnologia: saiba se você está entrando nesse caminho – Revista GeraçãoJC
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Vício em tecnologia: saiba se você está entrando nesse caminho

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Muitos aqui não devem se lembrar como era a vida sem a internet e outras tantas tecnologias. Imagine no tempo de nossos pais, alguns até na infância, em que não havia controle remoto (pra nada)! Ou ainda quando existiam as fitas K-7, quando não tinha microondas, os congeladores das geladeiras quase não abriam, por conta da quantidade de gelo que se formava quando passava muito tempo sem limpar. E isso era uma tremenda aventura. Quantos não acabaram furando o congelador com a faca para remover a crosta de gelo? (risos)

E quando não existiam os Ipods, Mp3, celulares, e os jovens da época se divertiam com os famosos disk-mans?! E o que dizer dos smartphones?! E as selfies?? É, fomos muito abençoados com os avanços tecnológicos. Em poucos anos ganhamos muitas inovações. E muitas vezes nos perguntamos como vivemos tanto tempo sem determinada coisa. E olha que nem faz muito tempo que a maioria delas existe?!

O problema é que existem muitos extremamente viciados em tanta tecnologia. Quantos aqui não conhecem, pelo menos uma pessoa, que não vive sem consultar, a cada meio minuto, suas redes sociais?! De repente até mesmo você que nos lê neste momento.

O psicólogo Adriel Lemos diz que não há como evitar o uso da tecnologia no dia a dia. “Somos dependentes dela e isso ninguém pode negar. Desde smartphones até os cartões de crédito, são ferramentas tecnológicas que usamos, e dependemos das mesmas. O excesso torna-se patológico quando é acompanhado do vício. No caso dos smartphones, principalmente, é necessário o uso responsável e coerente. Pois, caso contrário, a pessoa entrará num processo doentio, podendo desencadear muitas doenças relacionadas à ansiedade, causada pelo uso desenfreado da internet e etc. O excesso pode ser evitado com o uso consciente, responsável e sadio, entendendo que as tecnologias estão à disposição para nos servir, e não para nos aprisionar”.

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Adriel, que também é pastor setorial na AD Criciúma (SC), atua como secretário titular da igreja, coordenador de jovens e vice-coordenador estadual de adolescentes, fala como identificar que o jovem está viciado em tecnologia. “As que mais viciam esta faixa etária são os smartphones, computadores e vídeo games. Nesse caso, torna-se relativamente fácil para os pais ou até mesmo pessoas próximas perceber o vício, pois o mesmo altera o convívio social do jovem. Ele passa menos tempo com a família, pois fica horas jogando em rede. Não desgruda do smartphone, perdendo assim o contato com a família, e em muitos casos, até mesmo o comportamento muda, quando ele (a) torna-se mais irritadiço (a), impaciente, ansioso (a), com aspectos de isolamento social, e outros comportamentos que são típicos de pessoas com vício em internet e tecnologias”.

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Já o líder da AD do Distrito Federal, e do Conselho de Educação e Cultura da CGADB, especialista em docência do ensino superior, pastor Douglas Baptista, fala sobre os prejuízos na formação espiritual, na área da educação e social. “Eles são variados, mas quero destacar três deles que considero de maior gravidade: o isolamento, a solidão e a dependência virtual. Na década de 90 pesquisadores chamaram atenção para o mal social chamado de ‘paradoxo da internet’. Trata-se da contradição de alguém ter vários relacionamentos virtuais e ao mesmo tempo ausência real de contato humano. Estudos recentes demonstram que o aumento no uso da Internet coincide com o aumento da solidão, problema acentuado pelas redes sociais. Essa falta de equilíbrio tem desencadeado crises emocionais, ansiedade e isolamento que culmina com problemas espirituais e ausência de comunhão. Quanto à dependência virtual, estudos psicológicos detectaram oito sinais de uso patológico da rede: (i) incapacidade de controlar o uso da internet; (ii) necessidade de se conectar mais vezes; (iii) acessar a rede para fugir dos problemas ou para melhorar o estado de ânimo; (iv) pensar na internet quando se está off-line; (v) sentir agitação ou irritação ao tentar restringir o uso; (vi) descuidar do trabalho, dos estudos ou até mesmo dos relacionamentos pessoais por causa da rede; (vii) sofrer pela abstinência; (viii) mentir sobre a quantidade de horas que passa conectado e/ou permanecer muito mais tempo do que o previsto (SAYEG, 2000, p. 153). O usuário enquadrado em alguns dos itens acima pode estar usando a internet como fuga para problemas psicológicos. O não tratamento destes sintomas resulta em dependência e isolamento cada vez maior”.

O psicólogo alerta que o vício em smartphones (namofobia), e o vício em internet, são tão prejudiciais à psique quanto o uso de drogas pesadas. “Isto não é história da carocha, mas sim pesquisas cientificadas de renomadas universidades americanas e européias. Nesse caso o vício necessita ser tratado com seriedade e responsabilidade. Não é apenas uma modinha desta geração e sim um problema epidêmico que afeta centenas de milhares de jovens ao redor do mundo. As atitudes a serem tomadas, primeiramente é a desintoxicação, que pode ser feita de maneira particular (porém com pouco resultado), ou até mesmo com a ajuda de profissionais, pois já há no Brasil clínicas especializadas para tal. Após a desintoxicação, é necessário a reeducação, pois caso contrário o jovem poderá voltar as mesmas práticas”.

Muita gente determina horários de uso de celulares e tabletes para crianças de no máximo 2h para pessoas acima de 5 anos. Mas e os adolescentes e jovens, também deve respeitar um tempo limite de exposição à essas tecnologias? Adriel respondeu esta dúvida. “Na verdade todos os seres humanos deveriam respeitar esse tempo limite de utilização, porém ninguém faz, nem eu (risos). O uso indiscriminado, causado pela inovação do smartphone, causou um impacto muito grande em nossa saúde psicológica e espiritual. Antes o ponto de acesso era um computador, e num determinado momento você se desconectava, pois não era possível utilizá-lo a todo lugar. Hoje isso não existe, pois há adolescentes que compram capas impermeáveis para até no chuveiro usar o celular, alguns jovens dormem ao som de músicas, e assim nem mesmo o sono é ‘perdoado’. Volto a dizer que é saudável que todos possam estabelecer horários de utilização, ou então ‘períodos de folga’, pois é saudável para a psique e também para nossa vida espiritual.

Se você acha que não tem essa de um período do dia que seja menos agressivo à saúde, Adriel diz que “do ponto de vista da agressão psicológica sim, há diferenças. Diversos estudos demonstram que a utilização indiscriminada de tecnologias no período da noite, em especial 1h antes de dormir, prejudica a saúde do sono, que é fundamental para a reparação de nossa saúde física. Muitas pessoas reclamam de insônia, dificuldade de dormir, cansaço ao acordar, e tudo deve-se ao uso indevido no período que deveria ser reservado ao descanso e a preparação do sono. Fora isso não, pois em qualquer momento do dia a utilização excessiva é patológica”.

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E para àqueles que gostam de dar uma conferida nas redes sociais segundos antes de fechar os olhos para dormir ou logo que acorda, o especialista diz que não é um bom negócio. “Ao dormir, deveríamos reservar ao menos 1h de descanso de qualquer tecnologia (TVs e smartphones), porém muitos não fazem, e até dormem mexendo no celular. Tal atitude é extremamente invasiva, pois não permite ao cérebro o descanso, devido à luz azul emitida por dispositivos eletrônicos que suprime a produção do hormônio responsável por controlar os ciclos do sono. Por isso dormimos tão mal. Por isso vivemos uma geração doente, pois o sono, reparador e fundamental para a saúde, está prejudicado pelo uso de tecnologias. Ao acordar da mesma forma, pois já iniciamos o dia com um turbilhão de informações, que geram ansiedade, preocupações, medos e etc”, alerta Adriel.

Ele diz que esses hábitos são indícios de vício ou de que a pessoa está próxima a se viciar. “O smartphone deixou de ser apenas um acessório de uso normal e passou a ser uma extensão do corpo humano. É comum as pessoas saírem do quarto e irem para a sala, e depois irem para a cozinha, e levarem o celular. É como se fosse parte do corpo, inseparável. Muitos jovens chegam a desencadear crises de ansiedade quando estão longe de seus smartphones, ou quando os mesmos estão sem bateria.”

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Então, agora que já sabemos identificar alguns sinais, vamos ficar atentos a eles, sem permitir que uma ferramenta criada para facilitar o nosso dia a dia, nos domine, e nos torne reféns de nós mesmo!

Sobre o autor

Roberta Marassi

Roberta Marassi é jornalista, pós-graduada em telejornalismo, editora da revista GeraçãoJC, membro da AD.

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