Vício em Selfie?! Não, só mais uma foto – Revista GeraçãoJC
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Vício em Selfie?! Não, só mais uma foto

Ilustração: Fagner Machado

Quem aqui já não passou na frente de um espelho e sentiu vontade de fazer uma selfie? Nossas redes sociais não me deixam mentir. Seja no que fica no banheiro da igreja, em lojas, shoppings, o do guarda-roupa, da academia… Até aí tudo bem. Mas você sabia que existem muitos jovens obcecados por fazer essas fotos?!

Recentemente, vi numa reportagem do site G1, um jovem britânico de 22 anos que tira 200 selfies por dia. Ele calcula o melhor momento para publicar cada imagem para que tenha o maior número de likes. A que tiver menos de 600 curtidas, ele apaga.

“Quando posto uma foto, em um ou dois minutos eu, provavelmente, já vou ter 100 pessoas que curtiram. Meu telefone vai à loucura, é simplesmente incrível”, conta ao site, Junaid Ahmed que tem 50 mil seguidores no Instagram.

Um estudo recente sugeriu que a obsessão por selfies é um distúrbio mental genuíno, batizado de selfitis.

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Conversamos com o psicólogo Adriel Lemos que nos informou como identificar a pessoa que está seguindo neste caminho. “Certa vez conversei com um jovem que disse-me que para ter a ‘self perfeita’ ele precisava fazer de 50 a 80 selfies, para então postar. Perguntei a ele quantas vezes por dia fazia selfies, e ele respondeu: ‘um monte’. Esse é um típico caso de vício em selfies, onde o uso passa da normalidade para o exagero. Todo uso tecnológico em padrões de normalidade traz benefícios ao homem, porém o uso indevido traz consequências sérias para a saúde psíquica. Fazer selfies é algo normal hoje na cultura tecnológica que vivemos, porém quando os jovens começam a abusar, em busca da foto perfeita, fazendo inúmeras imagens por dia, a luz da preocupação precisa acender, pois ele(a) está tornando-se um selfiti. Um detalhe importante é que não há como determinar um número de selfies por dia para então fazer um diagnóstico, e esse é um dos grandes detalhes que causam maior problema, pois a literatura científica ainda carece de instrumentos para medir com precisão a diferença do vício e do uso saudável. Até há pela internet dicas, porém nada que ainda tenha passado por experimento cientifico. Entretanto, o bom senso aqui é importante, pois a partir do momento que, em busca de selfies perfeitas eu colocar a minha vida em risco, fazer centenas de selfies por dia, ter sensação de prazer exacerbada com selfies e etc, algo está errado”.

Foto: Shutterstock

Adriel, que também é pastor setorial na AD Criciúma (SC), atua como secretário titular da igreja, coordenador de jovens e vice-coordenador estadual de adolescentes, diz que este excesso é prejudicial. “Uma universidade indiana já confirmou tal patologia através de um estudo cientifico conduzido com 225 pessoas. Tal estudo revelou que o pano de fundo do excesso de selfies, geralmente é falta de autoconfiança, insegurança, busca por aceitação na cultura da exposição egocêntrica e etc. Assim como drogas e álcool, vício em tecnologias, e em especial as selfies, sempre há um gatilho que dispara o vício, que no caso das selfies, está relacionado principalmente à falta de autoconfiança e busca por aceitação no meio”.

O especialista diz que para chegar a este ponto, de se viciar, é justamente por conta dessa “falta de confiança, relacionada à baixa autoestima que provoca no jovem o desejo de expor-se cada vez mais, para que por meio das redes sociais ele possa ter atenção, afeto, respeito e sentir-se assim importante. Na cultura fútil que vivemos hoje, likes em redes sociais se tornou tão importante que há pessoas fazendo coisas absurdas e bizarras em busca de status, curtidas e fama, e tudo isso tem o pano de fundo da baixa autoestima. São pessoas vazias, frágeis, sem um propósito pleno de vida, que buscam nas redes sociais aquilo que não têm em vida. Na igreja isso é muito comum também, onde meninas e meninos chegam a ofertar seu pudor, sua santidade em troca de likes. Meninas que, em busca de status, postam fotos sensuais, nudes e outros mecanismos utilizados, assim fazem para trazer para si refrigério à alma angustiada pela ansiedade e pelo pecado também”.

 

Foto: Shutterstock

O pastor presidente da AD do Distrito Federal, e do Conselho de Educação e Cultura da CGADB, especialista em docência do ensino superior, Douglas Baptista, afirma que esse tipo de vício pode atrapalhar o relacionamento do jovem com Deus. “Diversos usuários da internet e das redes sociais iludem-se com a sensação de privacidade e isto favorece a prática do pecado e o consequente esfriamento espiritual. O vício rouba todo o tempo de modo a impedir a oração e a leitura bíblica. A fantasia do anonimato e a falta de inibição estimulam a prática da imoralidade. Uma conduta deplorável tem sido a postagem de ‘nudes’ (imagens da pessoa nua). Pode ser desde a reprodução e retransmissão de pornografia até a divulgação de notícias falsas e difamatórias”.

Ele dá dicas de como evitar este esfriamento. “Faz-se necessário e imprescindível corrigir estas distorções. Para isso, o primeiro passo é reconhecer o problema e buscar aconselhamento com a liderança. Estabelecer a oração e a leitura bíblica como prioridade são fundamentais para manter a comunhão com Deus. A sensatez é primordial, uma vez que todo o excesso é extremamente danoso ao ser humano”.

Este vício é tão danoso que muitos recorrem às cirurgias para “saírem melhores” nas selfies. Adriel nos explicou até que ponto essa obsessão é vaidade ou doença. “A vaidade por si só, em exagero, já pode diagnosticar-se como patologia. Mas nesse caso em específico, o limite entre a patologia e uma simples vaidade é o comprometimento desse comportamento no dia a dia do jovem. Conforme respondi antes, se o jovem se arrisca por selfies perfeitas, exagera no número de fotos que faz por dia, se ele se sente ansioso por fazer fotos e essa ansiedade alivia no momento do ato, se o jovem faz de tudo para manipular as fotos com apps específicos e seu único objetivo são os likes em redes sociais, neste caso o sinal vermelho precisa acender, pois passou de uma simples vaidade e tornou-se uma doença psíquica, relacionada à ansiedade”.

Foto: Shutterstock

O psicólogo deixa uma sugestão para quem se encontra nesta situação. “São dois caminhos que o jovem pode tomar. Primeiro, reconhecer o problema e decidir buscar apoio, pois o primeiro passo é o reconhecimento e o segundo a atitude. Assim como o vício em drogas, é necessária a decisão do viciado. Uma vez decidido, procure ajuda de um profissional especializado, pois já há no Brasil clínicas próprias para a desintoxicação tecnológica. Segunda coisa é buscar apoio em Deus, pois eu ainda creio num Deus que pode libertar qualquer viciado das garras do pecado. O jovem que está nesse processo, pode disciplinar-se em trocar alguns horários de uso das tecnologias por leituras bíblicas, oração e comunhão com Deus, pois o Espírito Santo pode e quer nos ajudar, porém esse papel é nosso de buscar apoio, ajuda e reconciliação com ele. Por fim, meu desejo é que você seja liberto desse mal, pois caso contrário você estará mergulhando profundamente em doenças psíquicas, em especial aos transtornos de ansiedade, o que irá lhe tirar a paz e alegria de vida. Jesus tem alegria. Jesus tem vida e vida com abundância”.

Pastor Douglas finaliza com um conselho. “O jovem cristão precisa estar consciente de suas responsabilidades e deveres no mundo virtual. As Novas Tecnologias não devem nos fazer prisioneiros da dependência virtual. Devemos ser fortes e não nos deixar dominar por coisa alguma (1Co 6.12) e ainda podemos usar a internet como ferramenta de evangelização (MT 28.19)”.

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Sobre o autor

Roberta Marassi

Roberta Marassi é jornalista, pós-graduada em telejornalismo, editora da revista GeraçãoJC, membro da AD.

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