Coisas de Deus

Revelações de uma vida de luta para vencer os preconceitos

Arquivo pessoal

Todo o vencedor tem suas cicatrizes. Nenhuma vitória é conquistada sem dor, por mais que nos custe admitir, tudo tem um preço! Atualmente fala-se muito em crise. Parece que essa é a palavra do momento e realmente há ocasiões em que somos provados até o limite das nossas forças. Parece mesmo que chegamos ao fim. Mas para a Glória de Deus, conheço de perto o sabor do Milagre. Aprendemos que o problema não é a crise, mas o que fazemos diante dela.

Sou Viviane de Souza Barbosa, membro da AD, ministério Deus de promessa em São João de Meriti (RJ), liderada pelo pastor Pedro Paulo da Silva, Sempre vivi no limite das circunstâncias. Desafiada a superar os obstáculos que, por alguma razão, às vezes a vida insiste em nos impor. Após ter vencido a morte, numa triste noite do dia 29 de outubro de 1985, em que o médico teve em suas mãos o corpo morto de uma menina, cujo nome, ironicamente, significa “Vida”.

Iniciou-se uma longa batalha, em que a hidrocefalia, a paralisia, a meningite, as infecções, internações e cirurgias não deixaram de marcar presença. Isso sem falar no pior de tudo: a discriminação, a hipocrisia daqueles que pensam que por terem um corpo correspondente aos padrões de “normalidade” são pessoas “perfeitas”.

Ao nascer, fui acometida pela hidrocefalia, acarretada por uma má formação cerebral. Por ter passado muito da hora de nascer, faltou-me oxigênio, fazendo-me passar por um grande sofrimento fetal e me levando, inicialmente, à morte. Com a ajuda de Deus, literalmente voltei à vida, sendo logo encaminhada à incubadora para me recuperar.

Aos sete meses fui submetida ao primeiro procedimento cirúrgico para colocar a válvula, sendo necessário que passasse um pequeno período no hospital. Nesse mesmo tempo foi constatada a paralisia infantil, o que me trouxe graves dificuldades.

Aos quatro anos, o cateter soltou em minha barriga. Fazendo necessário, que passasse por uma nova cirurgia, a fim de recolocá-lo, já que não poderia ficar sem ele.

Aos cinco anos de idade contraí meningite bacteriana. Fui submetida à outra operação. Precisei ficar 28 dias internada para que a infecção fosse totalmente eliminada e a recuperação completa, com o mínimo de sequelas possível. Tais dias foram como uma eternidade, mas mais uma vez fui vitoriosa.

A Palavra do Senhor diz: “Ensina a criança no caminho em que deve andar e assim, quando envelhecer não se desviará del.” (PV: 22.6). Assim foi comigo. Aos cinco anos, sem perder tempo, comecei a ser discipulada pela minha tia. Ela falava de Jesus com simplicidade e amor. Por isso, desde muito novinha, sempre gostei muito de ir às reuniões de oração e isso me deu uma grande, e firme base espiritual. Assim me decidi por Jesus, ainda criança, e pela Graça de Deus jamais sai de Sua Santa Presença.

Fiz todo o ensino fundamental em escola pública. Conciliando os estudos com o tratamento de fisioterapia e consultas médicas, que eram diárias, pois meu caso de paralisia era realmente grave.

Formei-me no magistério aos 21 anos. Pensava que enfim havia chegado onde queria. Dali em diante era só seguir em frente, mas não foi bem assim. Aos 22 anos de idade, estava aprovada no vestibular e em concurso público só esperando ser chamada. Após várias crises hemorrágicas, desmaios, muitos exames e seis biópsias, veio o temido diagnóstico: câncer nos ossos do crânio e da face. Entre o diagnóstico e a cirurgia para extinção do tumor, passou-se um ano. Um período de muita luta, mas também de grandes descobertas!

Fui operada no dia 24/03/2009 e após a cirurgia seguiu-se um doloroso e grande caminho de recuperação: sonda alimentar, consultas semanais, fisioterapia, fonoaudiologia. Os médicos chegaram a dizer que minha voz nunca mais seria a mesma, que o meu rosto ficaria deformado. Mas o nosso Deus cuida de nós nos mínimos detalhes e nos surpreende. E a disto prova é que 28 dias após a cirurgia, já estava sem a sonda (a previsão médica era de 90 dias no mínimo). Em menos de 1 mês já tinha recuperado os movimentos faciais. Cinco meses depois minha voz estava perfeita e finalmente após 6 meses estava na Universidade Castelo Branco iniciando a graduação em pedagogia. Para a Glória de Deus finalizei 3 anos e meio depois, sendo aprovada no processo seletivo para ingressar no curso de pós-graduação em planejamento, implementação e gestão da EaD pela UFF Universidade Federal Fluminense (UFF).

Ao Senhor Nosso Deus, portanto toda a honra, glória e louvor! Mestre, eu te amo e te adoro com todas as minhas forças!

Revista GeraçãoJC, edição 114.

Sobre o autor

Roberta Marassi

Roberta Marassi é jornalista, pós-graduada em telejornalismo, editora da revista GeraçãoJC, membro da AD.

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