Tira-Dúvida

Qual o real significado do termo laço na Bíblia?

Ilustração: Fagner Machado

Por: Eduardo Araújo

“Livrou-me do laço do passarinheiro …” (Sl 91.3)
Normalmente ouvimos de nossos irmãos um linguajar que identificamos como evangeliquês, isto é, são expressões que logo foram incluídas no cotidiano dos crentes e quando surge uma oportunidade, ouvimos frases de efeitos e até declamações que soam engraçadas aos nossos ouvidos. “Tá amarrado”, “vigia varão” ou “vigia varoa”, “tô no deserto” e assim por diante. Porém uma das expressões que causa mais temor no círculo evangélico é “Fulano caiu no laço” ou na alegria de um livramento: “O Senhor livrou-me do laço”. Mas vai a pergunta: que laço é este? Como podemos identificar o perigo iminente? O que a Bíblia diz a respeito?

O dicionário é categórico ao explicar o significado do termo “passarinheiro” que realmente assusta qualquer um: “O fazedor de armadilhas. O homem que é persuasivo com as palavras com o objetivo de enganar, é um passarinheiro. O homem que se dedica a armar arapucas a fim de aprisionar os pássaros é uma figura emblemática do Maligno, Satanás, um ser que não mede esforços no sentido de lançar o ser humano contra seu Deus. No comentário bíblico de Matthew Henry, o escritor é categórico ao explicar que a armadilha “fica invisível e, subitamente, apanha a sua presa desatenta”. O Senhor Jesus Cristo indicou aos seus seguidores a mais completa vigilância no tocante ao comportamento e as escolhas a serem feitas neste mundo. A exortação é bem-vinda, uma vez que o homem é tendencioso em não observar pequenos detalhes que, sem dúvida, vão prejudicar a sua comunhão com Deus.

O juiz Sansão jamais iria imaginar que a doce Dalila estava ao seu lado apenas interessada em ganhar dinheiro e entregá-lo aos seus compatriotas filisteus. Havia um laço armado para aquele desatento israelita, mas ele desconsiderou o perigo. O rei Davi achou melhor ficar em casa em vez de seguir com seus soldados para a guerra e, em um momento de ócio, acabou por alimentar o desejo em uma mulher casada. E como o monarca “consertou” o estrago provocado? Davi ordenou a morte de Urias no campo de batalha (1 Rs 11.15). O passarinheiro estava ativo e colhia os frutos de seu trabalho. O demônio não brinca quando o assunto é destruir o ser humano.

Até o próprio Jesus foi alvo do passarinheiro, uma vez que em pleno deserto, o Messias sentiu fome e sede, e o tentador não deixaria escapar aquela chance: “transforme essas pedras em pães”. Já reparamos que as sugestões mais lógicas e urgentes aparecem nos momentos mais difíceis da vida? E são as mais perigosas. O Senhor respondeu: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4.4). A resposta tem base no seguinte princípio: nos momentos de escassez, o Senhor deseja que seus queridos não apenas confiem Nele, mas que esperem a sua providência. A Palavra de Deus revela que logo depois da tentação, vieram os anjos e o serviram (Mt 4.11). Cuidado com o passarinheiro que ele ainda está ativo pelo mundo afora.

Bibliografia: HENRY, Matthew, Comentário Bíblico Antigo Testamento, Jó a Cantares de Salomão, Edição Completa, CPAD, Rio de Janeiro, 2010.

Eduardo Araújo é jornalista, teólogo, pós graduado em Docência do Ensino Superior, conferencista e presbítero na Assembleia de Deus em Bonsucesso (RJ) .