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Os desafios atuais dos JCs em busca dos estudos

Ilustração: Fagner Machado

Por Adriano Gomes

Considerando a necessidade imposta pelo mercado de trabalho atual, em qualquer área, o conhecimento é a base para se galgar alguma possibilidade de sucesso. Ter um curso de nível superior já não é mais garantia de um bom salário e estabilidade de vida, faz se necessário no mínimo ser bilíngue, pós graduado e buscar MBI, mestrado, doutorado,etc.

Tal consciência implantada pelo sistema globalizado afeta nossa juventude, que cada vez mais consumista, busca meios e formas de manter se e construir um futuro, o que digamos não há nada de errado até então, pelo contrário. Temos bons exemplos de pessoas na Bíblia que buscaram conquistar seus sonhos, tiveram que passar por etapas de aquisição de conhecimento para que se tornassem quem foram, homens de sucesso, bem sucedidos. O que dizer de José, Moisés e Davi, todos em comum trilharam um caminho de construção de conhecimento e nem sempre junto a família.

É preciso ter consciência que nem sempre tem o curso escolhido na cidade onde se reside, ou tendo seja possível cursá-lo naquela instituição, então mesmo o ensino superior sendo de certa forma globalizado e ter uma normativa, é fato que há divergências de qualidade do ensino praticado, o que leva muitos jovens buscar sair de casa para estudar, deixando os pais preocupados e inseguros sobre a condição de seus filhos estudando em outras localidades. Há que se levar em conta no mínimo 4 aspectos: financeiro, sociológico, psicológico e espiritual.

Financeiramente é preciso construir uma estrutura para ter o mínimo necessário como habitação, alimentação, transporte, saúde, segurança, vestimentas e investimentos nos materiais didáticos, entre outros gastos. O conselho bíblico deixado por Jesus é: “Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se senta primeiro a calcular as despesas, para ver se tem com que a acabar?” (Lc 14.28).

Sociologicamente sofrerá com a ambientação e tudo o que decorre não apenas do fato de tudo ser novo, diferente, pessoas estranhas, a necessidade de construir novos amigos, cultura diferente, hábitos atípicos, ainda que seja dentro do nosso país, ele tem dimensão continental, mas também e principalmente o fato de ter que abrir mão do círculo de amizades, vínculos familiares, tradições e estrutura de vida consolidada. Sem dizer do aconchego do lar, dos cuidados e mimos dos pais.”Fiel é esta palavra, e quero que a proclames com firmeza para que os que crêm em Deus procurem aplicar-se às boas obras. Essas coisas são boas e proveitosas aos homens” (Tt 3.8).

Psicologicamente lidar com a mudança comumente gera desarmonia e desarranjos emocionais, de personalidade e morais. Considerando os fatores emocionais está dentre outros o sentimento de solidão, desamparo, impotência, insegurança e carência afetiva que geralmente ocorre depois de alguns dias da mudança, quando passa a euforia da novidade. Quanto a personalidade, não que vá mudar totalmente, mas sofrerá impactos que dependendo da estrutura, poderá ficar com alterações irreversíveis, isso lógico ligado também a questões morais.

O sentimento de estar só e ser senhor de si, a liberdade de fazer seus horários, suas escolhas sem necessariamente se submeter a alguém (pais), pode provocar uma visão distorcida do “próprio eu”, podendo desencadear crises existenciais, levado pelo sentimento de culpa, das escolhas e atos cometidos, dor da frustração em decepcionar os pais, e não raramente desencadear de uma depressão. “E sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele depende tudo na vida” (Pv 4.23).

Espiritualmente o jovem cristão nessas circunstâncias, naturalmente é bombardeado por teorias e professores com visão divergentes da fé cristã, influências de novas amizades, o que somado as atividades a serem desenvolvidas ocupa o tempo podendo levar o jovem cristão a esfriar na fé, um distanciamento da comunhão e perda do temor.

Fato esse sim que pode, alterar a vida inclusive para a eternidade.“Tende muito cuidado para que ninguém vos escravize a vãs e enganosas filosofias, que se baseiam nas tradições humanas e na falsa religiosidade deste mundo, e não em Cristo” (Cl 2.8).

Quero por tanto que não haja sentimento de desencorajamento com essas palavras, mas ao contrário, precaução e cuidado, para assim como nos exemplos bíblicos de jovens citados anteriormente, também possa se tomar os exemplos de Daniel, Ananias, Misael e Azarias. Jovens que exatamente foram levados, não por vontade própria mas como escravos, por seu nível de conhecimento e entendimento (cfDn 1.4) para servir diante do rei Nabucodonozor no palácio Babilônico.

Que uma vez vivendo e vencendo todos os aspectos já citados, superaram todas as adversidades se fortalecendo na fé, cumprindo um chamado específico de honrar ao Senhor entre os príncipes e reis da terra, e o fizeram tão brilhantemente que sua fé foi reconhecida e confirmada por atitudes, comportamentos, decisões e até decreto do rei reconhecendo o Deus deles como Único e Verdadeiro (cfDn 2.47; 3.28).

Alguns conselhos práticos que podem auxiliar a vencer as circunstâncias citadas: mantenha os laços afetivos familiares fortalecidos, não abra mão dos verdadeiros e velhos amigos, mantenha se sempre comunicativo de forma bem aberta sobre seus sentimentos principalmente com seus pais, não abra mão de seus valores e princípios, procure fazer novos amigos e preferencialmente que sejam cristãos, não deixe de congregar, orar e ler diariamente sua Bíblia.

Creia no seu potencial, sem perder a fé no seu Deus, busque a realização dos seus sonhos e mediante sua determinação, persistência, resiliência, permita se ser um instrumento do Deus Altíssimo aonde quer que o Senhor te fizer chegar.
A motivação é o combustível de qualquer conquista. Ninguém entregue ao desanimo conquista algo importante. Por mais difícil que seja o trajeto mantenha o foco e não perca de vista o propósito. Cristo enfrentou tudo e todos, incluindo morte horrenda e cruel com um único propósito e motivação:Salvar Você e Eu!

“Definir o propósito é o start para alimentar a motivação que gera toda conquista”.

Adriano Gomes é pastor, psicólogo clínico, teólogo, pós graduado em docência do ensino superior, doutorando em psicologia, professor, palestrante, escritor. Membro integrante do ministério da família da CEMADERON. Coordenador SPEED e pastor da congregação Novo Tempo – Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Vilhena (RO).

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Adriano Gomes