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O que é mais importante no culto: ensino, pregação, ou louvor?

Ilustração: Fagner Machado

Por Ezequiel da Silva

Podemos iniciar pontuando que: Seja louvando, pregando, ou ensinando, o adorador deve sempre buscar um ponto de equilíbrio organizacional para toda congregação, Paulo adverti-nos:

“Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação” (I Co 14.26).

Muitos acham que na liturgia do culto cristão o que deve ter prioridade, é somente a pregação, alguns chegam a dizer nesse momento: “agora chegou a hora mais importante do culto” e ou ainda “chegou o momento de ouvirmos Deus falar conosco”.

Não é razoável esse pensamento, pois Deus em sua multiforme e Graça fala conosco desde o início do culto através dos hinos também. No entanto, não podemos negar nem ignorar o fato de que há descontrole. Há aqueles que demonstram preferência pela pregação, em contra partida os que preferem, e valorizam apenas o momento do louvor, todavia faz-se necessário a busca do equilíbrio em ambas as partes.

Sempre que tratamos do assunto pregação ou louvor á certo valor por parte de vários cristãos, porém e o ensino na igreja local como fica? Qual o grau de importância que damos? Por ventura não teria o mesmo peso que a o louvor ou a pregação? É notório o favoritismo de muitos por apenas um elemento, no entanto menosprezam os demais, como elementos também de culto á Deus, segundo o pastor Claudionor de Andrade:

Do lat. Cultus, veneração. Tributação voluntária de louvores e honra ao Criador. A liturgia, em si, não constitui-se em culto; é necessário que venha ela acompanhada de verdadeira predisposição espiritual. A liturgia é o símbolo; a piedade, a essência. A liturgia é a roupagem; o amor a Deus, a verdadeira substância do culto. Eis o texto-áureo do culto: “Deus é Espirito; importa que os que o adorem, façam-no em espírito e verdade” (Jo 4.24). O primário do culto é adoração a Deus; o secundário, envolve o espiritual do adorador (ANDRADE, 2017, P. 127).

Desse modo, compreendemos que tanto o louvor quanto a pregação, e também o ensino da Palavra devem fazer parte do culto com propósito de edificação, consolo e aprendizagem, sem diminuir o valor de nenhum deles, pois os três elementos se bem administrados num culto são bastante eficazes para a igreja de Cristo. Todavia, é preciso muita atenção ao exemplo de Jesus, tantos se dizem seguidores do mestre, sobretudo, o que Jesus mais fez foi ensinar, pregar, ou cantar? Notamos que o ministério de Jesus está pautado no ensino, e Ele foi apontado como Rabi (mestre). Nosso Senhor é chamado de Rabi, quarenta e cinco vezes nos Evangelhos.

A partir de uma pesquisa feita sobre a importância do ensino através da vida de Jonathan Edwards que viveu no século XVIII, é notória sua obediência e o ensino da palavra sendo aplicado em sua casa, o resultado, foi que trouxeram enormes, e maravilhosos benefícios à família. Em contra partida foi feita também uma pesquisa com outro homem da mesma época. Que se chamava Jukes, ele menosprezava a Palavra, a história mostra-nos resultados tristes na sua vida.

Do lat. Praedicare. Proclamação da Palavra de Deus, visando a divulgação do conhecimento divino, a conversão dos pecadores e a consolação dos fiés. A pregação deve ter um caráter bíblico, evangélico e profético. Além de ter a bíblia como base, há de mencionar a obra de Cristo, e mover o pecador a arrepender-se de seus pecados (ANDRADE, 2017, P. 303).

Já ensinar é todo esforço de transmitir a mensagem a alguém levando-o ao aprendizado. Deus continua falando, e sua mensagem é proclamada de diversas maneiras, seja através do louvor, pelo ensino, na pregação, entre outras. Existe para tal concordância bíblica em (Hb 1.1,2), também Davi no Salmo (Sl 19.1). Existem diversos salmos ou cânticos nas escrituras que transmitem a mensagem divina, não esqueçamos que: o foco é a busca pelo EQUILÍBRIO, negamo-nos a impor outro rudimento (Hb 6.1).

Logo, faz-se necessário valorizarmos a pregação, louvor (Sl 149.1-4; 150.1-6) e ensino de igual forma, é importante que cada um desses elementos transmitam claramente a mensagem de Deus e sua vontade divina para o mundo.

Costumo dizer que se eu for ao culto, e não receber edificação, consolo e não aprender, não houve culto ao Senhor. Pode ter sido reunião, ajuntamento, espaço social, etc… Menos culto ao Senhor. Reflitamos nisso: onde Cristo nos mandou pregar? Davi tocava harpa e o espírito mal saía de Saul (I Sm 16. 19-23). Jesus disse que a verdade liberta, limpa, e santifica (Jo 8.32; 15.3; 17.17), Pedro por sua vez advertiu-nos a crescermos no conhecimento, (II Pd 3.18). Já Oséias alertou-nos sobre o motivo do povo errar: por falta de conhecimento. E orientou-nos a buscarmos (Os 4.6; 6.3). “… Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus…” (I Cor. 10.31-33).

Bibliografia:

GILBERTO, Antônio. Manual da Escola Dominical. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 1987.

ANDRADE, Claudionor Corrêa. Dicionário Teológico: Um supremo biográfico dos grandes Teólogos e pensadores. Rio de Janeiro: CPAD, 27ª Impressão, 2017.

Ezequiel Pereira da Silva é diácono da Assembleia de Deus do Ministério do Ouro Fino (RJ), exercendo a função de auxiliar de congregação. Licenciado em História, Bacharel em teologia, pós-graduado em Psicopedagogia e pós-graduando em Língua Portuguesa, Redação e Oratória.

Sobre o autor

Roberta Marassi

Roberta Marassi é jornalista, pós-graduada em telejornalismo, editora da revista GeraçãoJC, membro da AD.

Comentários

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  • Séria bastante interessante se nossos cultos tivessem essa dinâmica, mas infelizmente o valor tem sido só à pregação e ao louvor, o ensino tem sido o mais desprezado. Oro a Deus para que essa dinâmica equilibrada entrem em nossos cultos.

  • Sim, tanto a pregação como o ensino e louvor fazem , para edificação da igreja ,parte do culto . Isso é Doutrina . Entretanto , alguns – cuidando , em apreço , que a pregação é o único meio que o Espírito fala – equivocam-se , pensando que a pregação é instrumento exclusivo do falar de Deus .