Matéria Principal

O Dilúvio bíblico foi universal?

Diferentemente do que alguns conjecturam, o Dilúvio nos dias de Noé, narrado em Gênesis 7, foi claramente universal. As provas disso são enormes, muito maiores do que as ditas evidências em contrário. Neste sentido, há o que afirma o próprio texto bíblico e também os relatos históricos em profusão que o corroboram, além de muitas evidências científicas. Se não, vejamos.

Afirmado biblicamente

O relato de Gênesis 7.19-23 deixa claro que o Dilúvio foi universal. Nele é dito com todas as letras (os grifos são meus) que “as águas prevaleceram excessivamente sobre a terra”; que “todos os altos montes que havia debaixo de todo o céu foram cobertos”; que as águas “prevaleceram acima” dos montes “quinze côvados”, o que dá mais de sete metros de água acima deles, possibilitando a Arca passar sobre os montes em segurança; que “os montes foram cobertos”; que “expirou toda a carne que se movia sobre a terra, tanto de ave como de gado e de feras, e de todo o réptil que se arrasta sobre a terra, e todo o homem”; que “tudo o que tinha fôlego de espírito de vida em suas narinas, tudo o que havia em terra seca, morreu”; e que “assim foi destruído todo o ser vivente que havia sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; e foram extintos da terra; e ficou somente Noé, e os que com ele estavam na arca”.

Além disso, não faria o menor sentido a promessa de Deus em Gênesis 8.21 e 9.11,15, e em Isaías 54.9, de nunca mais enviar um dilúvio sobre a terra se Ele estivesse falando de uma inundação local e não universal. Desde a catástrofe hídrica de Gênesis 7, já houve várias inundações locais sobre a face da terra. Deus teria quebrado sua promessa?

Por mais que se possa argumentar que as expressões hebraicas kol (todo, toda), erets (terra) e kol erets (toda terra), que aparecem em Gênesis 6 e 7, aparecem também em outras passagens de Gênesis não sendo usadas para se referir a todo o mundo, mas a apenas uma localidade ou região, tal argumento falha porque todos sabemos que é o contexto que determina o sentido no qual um determinado termo é usado, e o contexto de Gênesis 6 e 7 é claro: toda a Terra está em vista.

Ademais, não apenas o relato de Gênesis deixa claro que o Dilúvio foi universal; o Novo Testamento também o afirma. Em 2 Pedro 3.6,7, por exemplo, o apóstolo Pedro assevera que “o mundo” em que vivemos foi, no passado, “coberto com as águas do dilúvio”, e que “os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios”. Ora, nessa passagem, o apóstolo claramente compara o juízo divino universal que se dará no fim dos tempos com o juízo universal do dilúvio nos dias de Noé. Temos ainda o escritor da Epístola aos Hebreus afirmando que o Dilúvio foi uma condenação sobre “o mundo” (Hb 11.7); e, finalmente, temos o próprio Senhor Jesus dizendo que o Dilúvio foi universal e que é um tipo do juízo vindouro que se abaterá sobre o planeta quando Ele retornar (Mt 24.37-39; Lc 17.26,27).

Corroborado historicamente com fartura

Como se não bastasse o registro bíblico, há ainda 270 relatos históricos na Antiguidade, espalhados pelo mundo, afirmando que ocorreu um Dilúvio universal sobre a terra.
O mais incrível dessas narrativas é que elas são muitíssimo semelhantes à narrativa do Dilúvio em Gênesis: sempre um pequeno grupo de pessoas, geralmente descrito como uma família, é salvo de um Dilúvio universal dentro de uma arca construída por esse pequeno grupo após o aviso de Deus – ou dos “deuses” – de que viria um dilúvio universal. Esse grupo trouxe consigo na arca animais e, segundo outros relatos, sementes também.

Dentre os muitos relatos desse tipo, há os relatos dos antigos astecas, incas e maias, dos primitivos índios norte-americanos, dos antigos eslavos, dos tupis e guaranis, dos povos antigos da Tanzânia, da China, da Babilônia, da Índia, da Austrália, da Inglaterra, da Polinésia, da Grécia, do México, da Groelândia, do Egito, das Ilhas Fiji, da Ilha de Páscoa etc.

Algumas evidências científicas do Dilúvio universal

Há também várias evidências científicas de que o Dilúvio foi mesmo de alcance universal. Vejamos a seguir algumas delas, ressaltadas pelo ministério Answers in Genesis.

Em primeiro lugar, a existência de uma grande quantidade de fósseis de criaturas marinhas encontrada no alto de grandes montanhas, em uma altitude muito acima do nível do mar. Isso só poderia ser explicado devidamente por meio de um dilúvio universal, como descrito no relato bíblico. Dois exemplos são os fósseis marinhos encontrados na maior parte das camadas rochosas das paredes do Grand Canyon, no Arizona, a mais de uma milha acima do nível do mar, e os fósseis marinhos encontrados em grande quantidade no alto das montanhas do Himalaia. Mas há muitos mais espalhados pelo globo.

Em segundo lugar, a própria situação dos fósseis encontrados, que sugere um enterro rápido de animais e plantas, o que só poderia ser possível por meio de um soterramento catastrófico, o que, por sua vez, só poderia acontecer por meio de um dilúvio de grandes dimensões. Há grandes extensões de cemitérios fósseis muito bem preservados, como a que se vê no chamado “Redwall Limestone” do Grand Canyon. Outro exemplo são os imensos leitos de carvão e de giz que se encontram tanto nos Estados Unidos quanto na Europa, bem como faixas enormes contendo fósseis de peixes, insetos e de outros tipos de animais, isso em todas as partes do planeta. Ademais, os fósseis aparecem em várias camadas de sedimentos que sugerem terem sido depositadas rapidamente e estão espalhadas por vastas áreas em todo o mundo.

Em terceiro lugar, sinais de erosões rápidas ou de ausência de erosões entre as camadas rochosas encontradas. O que se vê em muitos camadas rochosas do planeta é uma sucessão de camadas achatadas, uma sobre a outra, o que indica uma deposição de camadas sem tempo para erosão. Nada nelas sugere uma erosão de milhões de anos entre uma e outra, mas algo muitíssimo rápido, repentino. Isso só poderia ser possível por meio de um Dilúvio universal. Um exemplo sempre lembrado é o de duas camadas famosas do Grand Canyon, conhecidas como “Coconino Sandstone” e “Hermit Formation”, mas a própria “Redwall Limestone” e as camadas logo abaixo dela são outros exemplos claros.

Lembrando que camadas rochosas como as “Tapeats Sandstone” e “Redwall Limestone” do Grand Canyon podem ser encontrados através de todo o continente americano, dos Estados Unidos até o Canadá, e até mesmo através do Oceano Atlântico até a Inglaterra. Como lembra o site do ministério Answers in Genesis, também os “leitos de giz da Inglaterra (as falésias brancas de Dover) podem ser rastreados através da Europa até o Oriente Médio, e são também encontradas no Meio Oeste dos Estados Unidos e na Austrália Ocidental. Camadas inclinadas no interior do ‘Coconino Sandstone’ do Grand Canyon são o testemunho de 10 mil milhas cúbicas de areia depositadas através de enormes correntes de água no espaço de apenas alguns dias”.

Em quarto lugar, temos sedimentos transportados por longas distâncias. Como afirma o Answers in Genesis, nessas camadas rochosas dispersas e rapidamente depositadas, “os sedimentos tiveram que ser corroídos de fontes distantes e levados por longas distâncias por meio de águas em movimento rápido. Por exemplo, a areia do ‘Coconino Sandstone’ do Grand Canyon teve que ser corroída e transportada da parte norte do que é agora os Estados Unidos e o Canadá. Além disso, os indicadores de corrente de água (como marcas de ondulação) preservadas em camadas de rocha mostram que correntes de água fluíram de forma consistente de nordeste para sudoeste em toda a América do Norte e do Sul, o que, é claro, só é possível durante uma inundação global”.

Por fim, em quinto lugar, muitos estratos foram depositados em rápida sucessão. Como ressalta Answers in Genesis, “as rochas normalmente não se dobram; elas quebram porque são duras e quebradiças. Mas, em muitos lugares, encontramos sequências inteiras de estratos dobrados sem fraturação, indicando que todas as camadas de rocha foram rapidamente depositadas e dobradas enquanto ainda molhadas e flexíveis antes do endurecimento final. Por exemplo, o ‘Tapeats Sandstone’ no Grand Canyon é dobrado em ângulo reto (90°) sem evidência de quebra. No entanto, essa dobração só poderia ter ocorrido após o restante das camadas terem sido depositadas, enquanto o arenito Tapeats permaneceu molhado e flexível.

Para os interessados em se aprofundar nesse assunto, indicamos o documentário Is Genesis History?, da Netflix, com cientistas abordando essas e outras evidências em detalhes; o livro Criacionismo: verdade ou mito? (CPAD), que pode ser adquirido AQUI; e uma matéria com links interessantes sobre essas evidências no site Answers in Genesis, e que pode ser encontrada clicando AQUI.

Sobre o autor

Silas Daniel

Silas Daniel é pastor, jornalista, chefe de Jornalismo da CPAD e escritor. Autor dos livros “Reflexão sobre a alma e o tempo”, “Habacuque – a vitória da fé em meio ao caos”, “História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil”, “Como vencer a frustração espiritual” e “A Sedução das Novas Teologias”, todos títulos da CPAD, tendo este último conquistado o Prêmio Areté da Associação de Editores Cristãos (Asec) como Melhor Obra de Apologética Cristã no Brasil em 2008.

Add Comentário

Clique aqui para postar comentários