Cara a Cara

NONAY Foralskelse: jovem fala de Jesus através da dramatização

Você deve ter assistido um vídeo que viralizou há alguns anos nas redes sociais, mostrando um morador de rua entrando no ônibus e dizendo que não queria dinheiro, mas, sim, um abraço. Alguém o abraçava e ele começava a falar do amor de Deus. Este jovem, hoje com 27 anos, é o Aellionay Andrade, ou Nonay Foraslskelse. Diácono na Assembleia de Deus Campinas Sede, em Goiânia (GO), o, também ator e diretor não só nasceu num lar evangélico como cresceu no campo missionário.

Filho de missionária, desde cedo ele aprendeu o valor de uma vida para o Reino de Deus. E mesmo passando por privações, aprendeu a amar missões. Hoje, ele ganha almas para Jesus por meio do evangelismo criativo, ou melhor, com Ministração Criativa, que já tem 10 anos. Quer saber mais sobre ele e seu ministério? Confira nossa conversa cara a cara. Você cresceu no campo missionário.

Como foi sua infância?
Minha infância foi viver a realidade de um missionário, que não é nada fácil e que é pouco esquecida. É a dificuldade em se alimentar, de moradia e vestimentas. Vivi em várias cidades no interior do país. As casas onde morei tinham paredes de barro e telhado de palha. Ainda lembro da minha mãe matando uma cobra que havia entrado em casa. A missão da minha família era fazer a obra na região e quando terminávamos éramos enviados para outro local. Com isso não estabeleci amizades duradouras. Não tenho amigos de infância. Como criança, o meu desejo era ter um carrinho de controle remoto, mas a minha realidade era dura demais para esses caprichos. Eu mesmo montava meus brinquedos copiando os originais. Às vezes, me afastava da família e chorava ao pé de uma árvore pela vida difícil que levávamos. Mas agradecia a Deus pelo dia. Você deve ter tido muitas experiências com Deus.

Pode dividir alguma com a gente?
Ainda criança, quando minha mãe havia casado e ido para o campo missionário, ao brincar no quintal de casa, furei o pé em um prego. Passei dias com dor, minha mãe passava remédios caseiros e nada revolvia. Por morar longe da cidade e a condição financeira não nos permitir acesso imediato ao hospital, o único jeito era orar. Minha mãe orava chorando ao ver eu pular na cama de tanta dor. No dia seguinte, um homem bate em nossa porta e diz: “Deus me enviou aqui para orar pelo seu filho”. Ele vinha da cidade grande, orou e fui curado. Como e por que surgiu o Ministração Criativa?Sempre trabalhei com a criatividade, tanto na construção dos meus brinquedos como em criações de histórias pra contar. Quando compreendi que isso poderia ser usado para o Reino, passei por um processo de amadurecimento espiritual. Após completar 17 anos, iniciei trabalhos mais elaborados em evangelismo. Na época, a internet não possuía a força que tem hoje e o evangelismo através dela era complicado. Por isso, minhas ações eram com teatro, músicas ou palavras ministradas nas ruas, praças, escolas… Continuava em oração até Deus me dar o nome para o ministério e iniciar os trabalhos pela internet. Ao longo desses anos deve ter recebido muitos testemunhos. Tem algum que mais te impactou? Dois dias depois da postagem do vídeo evangelístico onde me caracterizei de mendigo, um jovem do Rio de Janeiro entrou em contato por telefone agradecendo por ter salvo a vida dele. Segundo ele, havia planejado tirar a vida e quando abriu o Facebook para postaras últimas palavras, percebeu na linha do tempo que muitas pessoas compartilhavam o vídeo. Ele abriu e começou a chorar! Tudo que eu falava no vídeo era o que ele estava sentindo. Desistiu de suicidar-se e me ligou para agradecer. Chorei com ele e sorri por sua vida!

Seu primeiro vídeo que viralizou foi o do mendigo que pedia um abraço dentro do ônibus. Como esse“morador de rua” surgiu? E como era a reação das pessoas: primeiro ao te ver e depois quando você começava a falar de Jesus?
Na verdade, outros vídeos já haviam viralizado. Mas o do mendigo foi o que mais longe chegou,alcançando lugares fora do Brasil. Ele surgiu da necessidade de falar sobre amor, coisa que pouco vemos pelo mundo. A ideia era apresentar um homem sujo pelo pecado e necessitado de amor. Em umas das falas do personagem, ele diz: “hoje não quero dinheiro, só queria um abraço”, e traz a questão de que dinheiro não traz felicidade. Senti na pele, enquanto caracterizado, o desprezo de uma pessoa pelo próximo. Chorei, pois me senti odiado! Ao falar de Cristo e do seu amor, vi as mesmas pessoas que me desprezaram chorando. Foi muito forte tanto pra mim como pra elas.

Qual ministração que mais te impactou ao fazer?
O evangelismo dentro da boate, pois tive medo de me arremessarem latas ou que vaiassem na hora que falasse: “Jesus te ama!”. Mesmo com a liberação da dona do local para o evange-lismo no palco, tive medo. Mas fiquei em oração. Ao subir com um buquê de flores em mãos e com as palavras de perdão a alguém que certamente estava a me ouvir, o público ficou atento no que daria aquela história. Assim que revelado para quem era o pedido de perdão (Jesus), vi pessoas abaixando as cabeças, outras com lágrimas nos olhos. Não sei ao certo quem aceitou a Jesus naquela noite, mas certamente foram impactadas. Eu mesmo fui, por tudo que aconteceu. Antes de chegar ao local, um carro da polícia havia nos parado suspeitando que éramos arruaceiros. Um dos policiais me olhou, me identificou e sorrindo disse: “Você é aquele cara que faz os evangelismos!” Fiquei extremamente surpreso! E, chorando, o abracei. Sabia que era resposta de Deus, que Ele estava no comando.

Em um dos vídeos, você fala que foi surpreendido numa igreja em que foi convidado para ministrar. Você se vestiu de mendigo e ficou na porta da igreja. Alguns jovens ficaram o dia todo com você, te deram a roupa do congresso. O que você sentiu naquele dia?
Senti vontade de aceitar Cristo novamente através da vida deles. Foi lindo o que eles fizeram. Pra quem não está por dentro da história, vou resumir: fui convidado para ministrar numa igreja do Rio de Janeiro caracterizado de morador de rua. O pastor desejava testar os jovens sobre o trabalho que realiza há anos com eles. No dia, ele não estaria por perto, mas estaria observando tudo. Arrumei alguns papelões para dormir ali do lado. Ao chegar, fui abordado por 3 jovens que insistiram muito para que assistisse o culto. Falei que não tinha uma boa roupa e me trouxeram roupas novas e a camisa do evento para me mostrar que eu era igual a eles. Foi um dia muito forte pra mim, pois já havia ministrado em vários outros lugares da mesma forma e nunca fui tão importante para alguém como para aqueles 3 jovens. Muitos dizem que os jovens de hoje não querem nada com Jesus e Sua obra. Mas sabemos que há vários, espalhados pelo país que trabalham arduamente pra levar a Palavra.

O que você diria para eles, que largaram tudo para cumprir o Ide?
Que um dia quero ter o prazer de conhecê-los um por um. Quem atende o chamado e aceita esse desafio se sente muito só, pois são raras as pessoas que fazem isso de coração.Mas um dia estaremos todos juntos em um único lugar. Não desista! Isso é importante pra mim e pra você! Às vezes, podepensar que não faz diferença. Muita diferença fazemos no anonimato. Queira agradar a Deus e não aos homens, sua recompensa vem do alto! Agora peço que deixes umrecado para os que ainda não evangelizam. Seja por que nunca se atentaram para isso, ou para aqueles que sempre tiveram vontade, mas não sabem por onde começar, como fazer. Imagina você chegando numa festa de aniversário sem presente! Seu desejo é de não ver o aniversariante porque não está levando nada pra ele. Mas chega uma hora que ficará frente à frente com ele e sua possível fala será: “Parabéns, rapaz! Olha, a semana foi difícil demais! Me desculpe por não trazer seu presente, mas vamos fazer o seguinte: peça o que quiseres e semana que vem lhe trarei”. Complicado, né? Pois é! Nós, cristãos, temos fé que Jesus vai voltar e levar os Seus para o lindo Céu. Infelizmente, não tem como chegar diante de Deus e falar que semana que vem você vai trazer vidas evangelizadas. É nossa missão! É nosso presente!

Como podemos amar a Deus e não querer agradá-lo com nosso melhor?
Evangelismo não é só falar do amor de Deus; também é testemunho de vida. Se você não tem, então sua vida não é exemplo pra ninguém. Mude de vida, mude as palavras para um dia você mudar de mundo.

Sobre o autor

Aline Ferreira

Evangélica, jornalista, pós-graduada em Administração de Marketing e Comunicação Empresarial, atua como redatora web na CPAD.

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