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Livre para quê?

Ilustração: Fagner Machado

Por Karen de Andrade Bandeira

“Aos dezoito anos, vou fazer o que eu quiser!” “Quando eu tiver a minha casa, vai ser tudo do meu jeito”. “Regras são para os fracos”. Alguma dessas frases já lhe rondou os pensamentos? O que a palavra liberdade significa para você? Uma definição bem simples é: a possibilidade de agir e de decidir livremente de acordo com o que melhor lhe convier.

Adão e Eva eram livres no jardim do Éden? Você é livre? Sim, leitor. Adão e Eva eram livres no Éden, continuaram livres após serem expulsos do jardim, e você é livre também, embora a maioria de nós pense que não. Julgamo-nos aprisionados, embora livres, devido às obrigações rotineiras que temos de cumprir: tarefas acadêmicas, cursos, estágios, horário para chegar em casa sábado à noite, arrumar a cama, etc. Essas inúmeras responsabilidades podem ser encaradas como verdadeiras algemas se não compreendermos o que é a liberdade sob a ótica do cristianismo.

Assim, havendo definido a palavra liberdade de forma genérica, vamos, agora, defini-la biblicamente? Em primeiro lugar, saiba que a liberdade foi-lhe dada por alguém. Não foram os seus pais, não foram os governantes, não foi a Constituição, e muito menos a ONU, que fizeram de você um ente livre. A liberdade foi-lhe dada por Deus. Ao criar-nos, Ele dotou-nos do direito pleno e inalienável de decidirmos se reconheceremos, ou não, que Ele é soberano, de optarmos entre obedecê-lo ou desobedecê-lo, e de vivermos, ou não, para a sua glória. Pode parecer estranho, mas um prisioneiro, ou um cidadão de um país totalitário, ainda é livre, pois apesar de todos os revezes pode escolher viver para Cristo, ou não.

Pense na liberdade como algo que existe para cumprir um objetivo. Deus nos fez livres com um propósito. Quem é livre tem a liberdade para fazer determinada coisa. Ora, se Deus, ao criar-nos, fez-nos livres, é fácil concluir que Ele nos fez livres para que, com a nossa vida, o glorificássemos. Viver para a glória de Deus inclui ser um estudante aplicado, um filho obediente, e manter o quarto em ordem. Todas essas tarefas nós cumprimos porque, de livre vontade, em algum momento de nossa existência, decidimos que viveríamos para a glória de Deus.

Ora, alguém poderá dizer: “Eu continuaria obedecendo a Deus se, de uma hora para outra, me visse livre das tarefas chatas do dia a dia”. Sim, é bem possível ser alguém sem afazeres e, ainda assim, prosseguir obediente a Deus. É bem possível que um jovem com independência financeira, e que não tenha adultos a quem se reportar, permaneça glorificando ao Criador.

Mas nessa situação hipotética, este jovem permaneceu fiel ao Senhor porque, antes, conseguiu compreender que a sua total liberdade e independência não são um fim em si mesmas, mas um instrumento, ou um meio, para cumprir a vontade de Deus.

Nessa nossa hipótese, o jovem entendeu que a sua independência financeira poderia dar-lhe mais tempo livre para dedicar-se a Deus, e não mais dinheiro para ser gasto em farras ou passatempos tolos. O nosso jovem hipotético também percebeu que, embora não tivesse sobre si a autoridade dos pais ou de algum outro familiar, seria melhor e mais proveitoso manter em dia o seu programa de estudos e a organização da casa.

No entanto, se este mesmo jovem, assim como o filho pródigo (Lc 15.11-32), visse na liberdade um bem absoluto, e não um meio para se chegar a um objetivo, certamente dissiparia seus bens materiais com tolices e adotaria um estilo de vida autodestrutivo que, consequentemente, o levaria ao inferno.

Moisés, em Dt 30.15, deixou bem claro para os israelitas que eles tinham total liberdade para escolher: “Hoje te tenho proposto a vida e o bem, a morte e o mal porquanto te ordeno, hoje, que ames o SENHOR, teu Deus, que andes nos seus caminhos e que guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, para que vivas e te multipliques, e o SENHOR, teu Deus, te abençoe na terra, a qual passas a possuir. Porém, se o teu coração se desviar, e não quiseres dar ouvidos, e fores seduzido para te inclinares a outros deuses, e os servires, então, eu te denuncio, hoje, que, certamente, perecerás… Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua semente”. A liberdade que tinham os israelitas não era um objetivo a ser alcançado, mas um meio através do qual chegariam à vida, ou à morte.

Em suma, a liberdade é uma dádiva de Deus ao homem. Portanto, o homem pode fazer todas as coisas sem, contudo, esquecer-se de que a liberdade de que desfruta possibilita-lhe tomar decisões que, por fim, trarão consequências.

Jovem leitor, agradeça a Deus por havê-lo criado exatamente como você é, e também pela liberdade que Ele lhe deu. E peça diariamente ao Senhor que o ajude a fazer sempre as escolhas que trarão glória ao reino de Deus, lembrando-se diariamente de que “todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal” (2Co 5.10).

Karen de Andrade Bandeira é professora de Escola Bíblica Dominical, comentarista das revistas Jardim de Infância e Pré-adolescentes de ED, e é formada em Língua Portuguesa e em Literaturas de Língua Portuguesa.

Sobre o autor

Roberta Marassi

Roberta Marassi é jornalista, pós-graduada em telejornalismo, editora da revista GeraçãoJC, membro da AD.

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