Crítica

Disney oferece enlatado de paganismo e feitiçaria para crianças

01Houve um tempo, mas especificamente no final do século 20, em que a Disney era criticada por suas mensagens subliminares perniciosas para crianças em algumas de suas últimas produções daquele período. Hoje, os tempos são outros. Nada de mensagens subliminares. As coisas são escancaradas mesmo.

Esse é o caso da nova produção para crianças da Disney: o filme “Moana”. Entre os tradicionais ingredientes de ação, aventura, comédia e músicas pegajosas dentro de um enredo previsível, temos, por exemplo, uma “princesa durona”, definida da seguinte forma por um dos diretores do filme: “Você quase pode tirar o gênero da história e dizer: ‘É um herói masculino’. Acho que isso cria um novo impulso em um território desconhecido”. Como assim “território desconhecido”? Em uma época de inversão de valores, de movimentos pró-homossexualismo e de um movimento feminista pregando o “empoderamento” da mulher, isso soa bastante preocupante.

Mas, o que dizer do aspecto espiritual do filme? A própria divulgação do filme já anuncia que Moana é influenciada pela sua avó paterna, que é uma feiticeira e médium da tribo. O misticismo está em todo o filme, com a água sendo uma entidade, além de a heroína ter como companheiro de aventuras um semideus da cultura mística polinésia que tem uma personalidade ruim, marcantemente egoísta. Há ainda reencarnação e demônios. Ou seja, tudo que não é indicado para crianças. Uma curiosidade sobre o filme é que a Disney tem sido acusada de desprezo cultural por usar a figura do semideus Maui, que é uma figura lendária da mitologia de várias culturas do Pacífico. A representação de Maui e a exploração comercial da figura lendária pelo estúdio provocaram indignação.

Maui é considerado um “ancestral” e todas essas culturas pagãs da região. A crítica não é à personalidade arrogante do personagem, mas ao fato de que ele é cheio de tatuagens e, na cultura da Polinésia, as tatuagens contam uma história pessoal, de maneira que reproduzir essas “intimidades” é considerado uma falta de respeito, e fazer isso com fins comerciais é um insulto. Daí a crítica. No mais, para esse pessoal, a feitiçaria é boa. Enfim, foi-se a época em que, quando queriam divulgar coisas perniciosas para as crianças, isso era feito de forma subliminar. Agora, não; é escancarada. “Moana” é só mais um exemplo disso.

Revista GeraçãoJC, edição 118.

Sobre o autor

Aline Ferreira

Evangélica, jornalista, pós-graduada em Administração de Marketing e Comunicação Empresarial, atua como redatora web na CPAD.

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