Ciência e Saúde Matéria Principal

Dez minutos de caminhada são suficientes para aperfeiçoar a memória

Foto: Shutterstock

A ciência já mostrou que vencer a preguiça e praticar uma atividade física pode não ser uma tarefa fácil. Mas não é só a balança que sente uma vida sedentária: ao preferir ficar no sofá vendo Netflix, seu cérebro também deixa de fazer importantes conexões que podem aguçar sua memória.

Nem precisa de muito tempo. Apenas 10 minutos de atividade leve já fazem a diferença, segundo estudo de uma equipe de cientistas da Universidade da Califórnia especialista no em pesquisas relacionadas à atividade cerebral.

Para chegar à conclusão, pediram para 26 voluntários saudáveis com pouco mais de 20 anos que fizessem exercícios leves por 10 minutos, como ioga ou caminhada, antes de passarem por um teste de memória. O teste de memória foi então repetido nos mesmos voluntários sem o exercício.

Pelo monitoramento das atividades cerebrais dos participantes, descobriram que após a atividade física, o hipocampo — região importante no armazenamento da memória — e as regiões cerebrais envolvidas na lembrança vívida das memória, estavam com seu funcionamento aguçado.

“Um passeio à noite é suficiente para obter algum benefício”, disse ao The Guardian Michael Yassa, neurocientista da Universidade da Califórnia, e co-líder do projeto, acrescentando que a frequência e a quantidade exata de exercícios dependerão da idade da pessoa, nível de mobilidade, incapacidade potencial e outros fatores relacionados ao estilo de vida.

Michelle Voss, neurocientista da Universidade de Iowa que não está ligado ao estudo, descreveu as descobertas ao The Guardian como “intrigantes”. “As regiões do cérebro envolvidas aqui também são as regiões que se acredita desempenhar um grande papel na deterioração da memória com o envelhecimento. Seria realmente emocionante ver esse tipo de experiência em adultos mais velhos ”, disse ela.

E é justamente que está fazendo agora a equipe de Yassa. “Nosso principal objetivo é tentar desenvolver uma prescrição de exercícios que possa ser usada por idosos que possam ter deficiências ou problemas de mobilidade, mas ainda assim possam adotar um regime de exercícios muito simples e, talvez, evitar o declínio cognitivo”, contou.

Encorajado pelos resultados, Yassa e sua equipe mudaram seus hábitos no laboratório. “Eu tento fazer reuniões a pé de vez em quando, e tentamos nos levantar a cada duas horas e dar uma boa caminhada de 10 minutos. Com base na minha experiência, não apenas o grupo é mais produtivo, mas estamos mais felizes ”, disse ele.

Fonte: Revista Galileu

Sobre o autor

Roberta Marassi

Roberta Marassi é jornalista, pós-graduada em telejornalismo, editora da revista GeraçãoJC, membro da AD.

Add Comentário

Clique aqui para postar comentários