Tira-Dúvida

Davi, como um homem segundo o coração de Deus, era perfeito?

Davi não era perfeito, caro leitor, pois a mesma Bíblia não esconde suas muitas e graves faltas, nem seus correspondentes castigos. Como e em que sentido foi o filho de Jessé um homem conforme o coração de Deus? Busquemos os paralelos. Deus disse: “Suscitarei para mim um sacerdote fiel, que procederá segundo o que tenho no coração” (1Sm 2.35). Tomando toda a passagem em consideração, percebemos que Davi, especialmente em sua qualidade de sacerdote-rei, procederia segundo o coração ou a vontade de Deus.

Esta ideia se encontra plenamente confirmada na passagem paralela do cap. 13.14, onde também verificamos que era em vista do rebelde Saul e contrário à sua má conduta como rei, que Davi seria homem segundo o coração de Deus.  Outro exemplo de paralelos de nomes próprios encontramos no relato de Balaão (Nm 22;24), deixando-nos em dúvida quanto ao verdadeiro caráter de sua pessoa. Foi ele realmente profeta? E, em tal caso, qual foi a causa da sua queda?

Consultando os paralelos do Novo Testamento, verificamos em 2 Pedro, em Judas 2 e em Apocalipse 2.14 que ele foi um pretenso profeta que atuava levado pela paixão da cobiça, e que, por suas instigações, Balaque fez que os israelitas caíssem em pecado tão grande que lhes custou a destruição de 24.000 pessoas. Ao consultar-se esse tipo de paralelos convém proceder como segue: primeiramente buscar o paralelo, ou seja, a aclaração da palavra obscura no mesmo livro ou autor em que se encontra, depois nos demais da mesma época e, finalmente, em qualquer livro da Escritura. Isto é necessário porque, às vezes, varia o sentido de uma palavra conforme o autor que a usa, segundo a época em que se emprega, e ainda, segundo o texto em que ocorre no mesmo livro.

O procedimento com relação a ideias obscuras ou discutíveis é idêntico ao estudo de paralelos de palavras. Assim, para conseguir a ideia completa e exata do que ensina a Escritura em um determinado texto, talvez obscuro ou discutível, consulta-se não só as palavras ou passagens aclaratórios que se relacionem com o dito texto obscuro ou discutível. Tais textos ou passagens são o que chamamos de paralelos de ideias. Segue um bom exemplo: Ao instituir a Santa Ceia, Jesus deu o cálice aos discípulos, dizendo:”Bebam dele todos”. Isto significa que só os ministros da religião devem participar do vinho da ceia, destinando os elementos a todos os membros da igreja, sem distinção. Invenção humana, destituída de fundamento bíblico, é, pois, o fato de, na comunhão, uns participarem do pão, e outros do vinho.

Texto extraído do livro Mais 201 respostas para o seu enriquecimento espiritual e cultural, de Abraão de almeida.