Compartilha comigo? – Revista GeraçãoJC
Comportamento

Compartilha comigo?

Fagner Machado

Por: Joelson Lemos

Globalização já ficou no passado; o termo agora é “conexão” e “compartilhamento”! Estar conectado é a maior tarefa do ser humano como um ser social (demanda urgente).

Vivemos dias de dados que trafegam na velocidade da luz (fibra ótica), dias em que o escrever tornou-se o digitar, em que uma dúvida sobre a língua não se corrige mais consultando um dicionário, mas se utilizando de um corretor ortográfico e gramatical.

Porém, a pergunta a ser feita hoje é: quem reconectará o ser humano a ele mesmo? Sim, pois uma das características da modernidade é “unir”, algo para o qual a tecnologia tem prestado um “belo” desserviço. Temos hoje “junção”, aglomerados de seres humanos juntos por força do desejo e não unidos pela proteção do afeto.

Nunca na história da humanidade se compartilhou tanto como hoje; porém, o que estamos compartilhando? Compartilhamos fotos, músicas, vídeos, tudo que dos outros existe em nós. E quanto de nós realmente está sendo compartilhado? Porque o verdadeiro compartilhamento conforta, anima, produz crescimento, preenche!

Você já parou para observar a dinâmica que estamos vivendo? Em vez de preencher, nós nos esvaziamos.

O ato de compartilhar configura-se numa interação, entre pessoas, para dividir alguma coisa em partes e repartir entre elas. Cada pessoa que participou da interação tem “uma parte igual”.

Com a dinâmica imposta pela tecnologia, em vez de termos nossas necessidades atendidas igualmente, após um longo período de supostos compartilhamentos, saímos tristes, frustrados e com uma consumidora sensação de vazio. Sentimos como se, ao compartilhar, criássemos um enorme buraco em nós mesmos, e isso traz como resultado a produção desenfreada de material para novamente poder voltar a compartilhar.

Você nunca se sentiu assim? Após ter postado todas as fotos, é preciso mais fotos?Será? Para quê?

Quando expomos uma foto, em vez de praticarmos a partilha, estamos, na verdade, praticando a exibição, tendo em nós a sensação de haver repartido com o outro algo que é nosso, já que o ato de “curtir” dos outros é a parte deles entregue a nós.

Quando observamos esse fato, vemos que, na verdade, não partilhamos algo nosso porque nossa preocupação no ato da suposta partilha não é em relação a nós; por esse motivo,a porção partilhada não é nossa, e sim do outro. A motivação da partilha, a preocupação, a necessidade, os anseios não giraram em torno de nós, mas dos outros, e a prova está declarada no “curtir”, pois, se ele não vem, a sensação de vazio aumenta ainda mais, e a ação de partilhar agora se torna a de “deletar”.

Em todo o processo, podemos observar que essa é, sem dúvida, uma investida contra o verdadeiro sentido da partilha; ou seja,“todos com a mesma quantidade”. Isso diz respeito a unidade; ninguém tem mais que ninguém ou se julga melhor que alguém; pelo contrário, no compartilhamento, você está dizendo: “o que Eu tenho, você pode ter, e o que você tem, tenho eu condição de obter também”.

Porém, só podemos pensar assim quando temos pelos outros oque a exposição não produz, aquilo que apenas o compartilhamento pode produzir: “afeto”. A exposição ridiculariza, ensoberbece e humilha; o compartilhamento enobrece, dignifica. O compartilhamento não nos torna melhores que outros, mas nos iguala.

Pois bem,você saberia dizer onde o verdadeiro compartilhamento tem sua expressão máxima?A resposta é simples: lá na “cruz”! Na cruz, Jesus não compartilhou o que tinha dos outros nEle (todos os nossos pecados), mas compartilhou o que era realmente dEle: a vida!

E, ao abrir os braços como quem autoridade, legitimidade para unir tudo e todos, liberou uma palavra poderosa,com toda ciência, não apenas de algo para ser compartilhado, mas como alguém que tem em si mesmo tudo que precisa ser compartilhado. Ele disse:
– Pai, perdoa-os, porque não sabem o que fazem!

Com essa expressão, ele cumpriu o verdadeiro sentido de compartilhar. Tanto os céus quanto a terra passaram a partilhar das mesmas possibilidades por meio do sacrifício vicário de Jesus na cruz. E foi tudo wifi, sem fio, sem cabos; a conexão foi imediata. No mesmo instante em que ele terminou a frase, todos nós passamos a possuir tudo em igual forma: arrependimento, justificação, regeneração, adoção, salvação e redenção. Ele uniu, neste momento, os céus e a terra por meio de um único compartilhamento: afeto!

Joelson Lemos é evangelista, superintendente da ADEC – Adolescentes em Cristo na AD em POA (RS), articulista da revista Ensinado Cristão – CPAD, acadêmico em psicologia pela Rede (UniRitter)LaureateInternationalUnivesities. E-mail.: joelsonlss@gmail.com – Face.: Joelson Lemos

Revista GeraçãoJC, edição 119.

Sobre o autor

Roberta Marassi

Roberta Marassi é jornalista, pós-graduada em telejornalismo, editora da revista GeraçãoJC, membro da AD.

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