Tira-Dúvida

Como entender o comportamento de Rute ao se deitar aos pés de Boaz conforme Rt 3.7,8?

Por: Eduardo Araújo

Ser viúva naqueles tempos do Antigo Testamento não era nada fácil! Só para se ter uma ideia, uma viúva não podia contar com fundos de pensão, INSS ou qualquer outra ajuda por parte do governo, senão apenas com a Lei do Levirato (Dt 25.5-10). Haja vista que a viúva de Sarepta (cidade para onde o profeta Elias refugiou-se sob ordem do Senhor) vivia sozinha, padecia necessidade e sua única esperança reservava-se em um milagre realizado através do profeta Elias (1 Rs 17.14 a 16).

Mas e no caso de Rute, que além de viúva era uma moabita, uma representante de um dos povos inimigos de Israel? Além do mais, quando lemos a passagem bíblica na qual a jovem deita-se aos pés de Boaz, estranhamos a conduta da imigrante, uma vez que os costumes dos povos no Oriente Médio de mais de 3 mil anos foge totalmente do que consideramos adequado para os dias atuais.
De acordo com o conteúdo teológico da Bíblia de Estudo Cronológica Aplicação Pessoal (CPAD), as viúvas Rute e Noemi só poderiam aguardar tempos difíceis. Por isso, as duas precisavam encontrar na figura do fazendeiro israelita o tão aguardado remidor (parente que se assumia a responsabilidade da família). A Lei do Levirato indicava como solução para evitar o desamparo e a pobreza que a viúva recorresse ao seu cunhado, com o propósito de dar continuidade à descendência do falecido marido.

Quando a sogra Noemi aconselhou Rute a deitar-se na eira aos pés do pretendente, a idosa israelita nada mais fez do que seguir os costumes sociais de sua época e lugar: não se tratava de um ato sedutor, mas era comum um servo deitar-se aos pés de seu senhor e até mesmo compartilhar uma parte de sua coberta. Rute seguiu esse costume, dando a entender que Boaz poderia ser seu remidor familiar – que poderia arranjar alguém para casar com ela ou mesmo contrair núpcias com a moabita. Como se pode observar, era um assunto de família e não uma história romântica que encontramos nos livros e revistas de contos de fadas.

Eduardo Araújo é jornalista, teólogo, conferencista, redator do jornal Mensageiro da Paz e pós graduando em Docência do Ensino Superior.

Sobre o autor

Aline Ferreira

Evangélica, jornalista, pós-graduada em Administração de Marketing e Comunicação Empresarial, atua como redatora web na CPAD.

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