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Como devemos servir?

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Por Ezequiel da Silva

Quando nos deparamos com as Escrituras no texto de Paulo a igreja de Corinto lemos o seguinte: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus.” A nossa carne gosta de nos dominar, e ela mesma escolher por fazer as coisas que lhe agrada, tende a ir além da medida ou da vontade de Deus, e quer servir com os dons naturais que lhe satisfazem maior honra e consideração diante dos homens, sem embargo é preciso muito cuidado nessa área, pois a palavra de Deus nos alerta: “Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne; e estes opõem-se um ao outro; para que não façais o que quereis”(Gl 5. 17).

O que ocorre é que um serviço com segundas intenções e motivação errada não coopera para glorificação de Cristo, de modo que o foco deixa de ser o bem-estar das almas, é totalmente rejeitável e sempre será prejudicial, tanto para nós mesmo quanto para os outros.

“Atender ao chamado de Deus e fazer a sua obra não significa necessariamente ser um obreiro de tempo integral, e muitas vezes, não é preciso nem mesmo fazer parte do ministério eclesiástico. Quero com isso dizer que todas as esferas de atuação do homem são campos onde o chamado pode e deve ser exercido, inclusive no local de trabalho dos fiéis, onde seus ofícios laborais são considerados por Deus como verdadeiros ministérios.” (NASCIMENTO, Valmir, 2016, p. 98).

Quantos serviços que realizamos em nosso cotidiano poderiam ser uma benção, e por vezes deixamos de aproveitar as oportunidades quando por interesses particulares almejamos as coisas, negócios e privilégios grandes, e acabamos por desprezar as “pequenas coisas”.

No entanto, é nesse momento que precisamos do alerta do Espírito do Senhor que habita em nós, para mostrar-nos novamente a direção certa no Servir, o apóstolo Paulo adverte-nos: “Ora, se eu faço o que não quero, já não o faço eu, mas o pecado que habita em mim.

Acho, então, esta lei em mim: Que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo.” (Rm 7. 20-21), pode até parecer confusa e muito complicada essa questão contudo, o fato é que toda essa batalha sempre envolverá o nosso interior que tem a ver com nossas próprias vontades, desejos e escolhas, por isso precisamos cuidar do nosso viver espiritual (Sl 119. 11), pois a Palavra exorta-nos: “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz comete pecado” (Tg 4.17).

Há Pessoas que lamentam, e queixam-se da falta de oportunidade para servir em alguma coisa ou realizar algo, por outro lado a outros que desprezam o “dia das coisas pequenas” por não enxergarem aquilo que está a sua frente.

É necessário voltarmos à atenção para as Escrituras, no que tange aos princípios que devemos e precisamos considerá-los em nossos serviços, por este motivo o pregador Salomão aconselha-nos: “Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra, nem indústria, nem ciência, nem sabedoria alguma”, (Ec. 9.10), diz mais o sábio: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento;” (Ec 12. 1), e o profeta Zacarias exclama: “Quem despreza o dia das coisas pequenas?” (Zc. 4.10), Jesus por sua vez disse: “Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar” (Jo 9. 4), percebemos que Jesus coloca o Serviço no plural “as obras”, faz-se necessário Servir enquanto “é dia”, no tempo em que, temos saúde, inteligência, oportunidade, ambiente propício, condições físicas, mental e sobretudo espiritual, porém nossa tendência em procrastinar segue desviando-nos do alvo, não podemos esquece-nos que “a noite vem…”.

Certamente será uma benção para os servos do Senhor a partir do momento em que esses princípios forem considerados em seus corações enquanto trabalham.

Todavia, a fonte de energia para o serviço será unicamente esta: A busca pelo conhecimento de Deus e de seu Filho Jesus Cristo, e o amor por Ele – isto é o fruto de uma constante comunhão com Deus e sua Palavra (Lc 2. 49,52).

Como podemos observar nos exemplos deixados pelo Mestre: “… Aprendei de mim, que sou manso e humildade de coração…” (Mt 11.29); “Porque o Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos. (Mc 10.45), sendo assim não tardará, e não será difícil para que as nossas mãos encontrem algo a fazer.

Caso a glorificação de Deus, sua boa, agradável e perfeita vontade sempre seja a nossa prioridade, então faremos as coisas de todo o coração e com todas as nossas forças para o Ele e por Ele (Dt 6. 5; Mt 22. 37), independentemente de qual for o nosso talento, no Reino ou na sociedade serviremos ao Senhor, recordamos aqui neste ponto que serviço tem ligação direta com demonstração de amor ao Senhor, desta maneira, que seja uma verdade aquilo que verbalizamos em forma de cântico, “meus dons e talentos, são pra te Servir”. “O trabalho mais simples para Jesus tem mais valor do que a dignidade de um imperador” (C.H.Spurgeon).

Em vista disso, concluímos com os mandamentos da Palavra do Senhor: “Mas esforçai-vos, e não desfaleçam as vossas mãos, porque a vossa obra tem uma recompensa.” (2 Crônicas 15.7).

“Tive muitas coisas nas mãos e as perdi a todas. Mas aquilo que fui capaz de colocar nas mãos de Deus, ainda possuo” (Martinho Lutero), “uma das formas mais lindas de definirmos serviço, encontra-se nos registros sagrados no texto onde Paulo diz: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros.

“De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus” (Fp 2. 3-6).

BIBLIOGRAFIA: NASCIMENTO, Valmir. O cristão e a universidade: Um guia para a defesa e o anúncio da cosmovisão cristã no ambiente universitário. 2ª impressão. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

Ezequiel Pereira da Silva, é diácono da Assembleia de Deus do Ministério do Ouro Fino (RJ), (exercendo a função de Pastor auxiliar). Licenciado em história, bacharel em teologia e pós-graduado em psicopedagogia

Sobre o autor

Roberta Marassi

Roberta Marassi é jornalista, pós-graduada em telejornalismo, editora da revista GeraçãoJC, membro da AD.

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