As misteriosas pedras do Urim e Tumim – Revista GeraçãoJC
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As misteriosas pedras do Urim e Tumim

Ilustração: Fagner Machado

Por Eduardo Araújo

“E, vendo Saul o arraial dos filisteus, temeu, e estremeceu muito o seu coração. E perguntou Saul ao Senhor, porém o Senhor não lhe respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas” (1 Samuel 28.5,6).

O primeiro rei de Israel estava perturbado porque Deus não havia revelado a sua vontade através de seus canais de comunicação, um dos quais eram as pedras de Urim e Tumim. Mas afinal, que pedras eram essas e para que serviam?

Esses objetos faziam parte do cenário do Antigo Testamento com a sua liturgia de adoração ao Senhor, de acordo com o Ph.d. em Línguas Clássicas e autor norte-americano Russell Norman Champlin os artefatos pertenciam ao equipamento do sumo sacerdote de Israel e são mencionados juntos, na ordem “Urim e Tumim” (Êx 28.30; Lv 8.8; Ed 2.63) e na ordem “Tumim e Urim” (Dt 33.8 e na Septuaginta em 1 Sm 14.41). A palavra “Urim” aparece isolada em Nm 27.21 e 1 Sm 28.6.

Quanto a sua utilização o procedimento envolvia a célebre indumentária do sumo sacerdote. As vestes do religioso consistia também o peitoral do juízo na frente da estola sacerdotal. Esse ornamento era uma peça dobrada pelo meio e formava uma espécie de “sacolinha” (Êx 28.16) onde eram colocados o Urim e o Tumim (Êx 28.30), e ao analisar as narrativas em Nm 27.21; 1 Sm 14.41, 28.6 e Ed 2.63 (e seus paralelos) fica evidente constatar que o propósito de sua utilização era detectar a vontade de Deus. De acordo com 1 Sm 14.41, segundo a Septuaginta, e em ressonância com quase todos os estudiosos modernos, um ou outro desses objetos podia ser retirado da “sacolinha” formada pelo peitoral com a resposta “afirmativa” ou “negativa”.

Entretanto, um análise em 1 Sm 28.6 deixa claro que nem sempre a resposta era definida.

Os especialistas explicam que os artefatos eram dois objetos chatos, um dos lados seria chamado Urim, isto é, vindo do termo “arar” (“amaldiçoar”) e o outro lado seria chamado “Tumim” (“ser perfeito”). Quando os objetos eram retirados da “sacolinha” se ambos mostrassem ser “urim” a resposta seria negativa, mas se ambos fossem “tumim” então seria positiva, mas se um lado fosse “urim” e o outro “tumim” a resposta seria inconclusiva.

Hoje em dia, o povo de Deus não mais recorre a esse recurso uma vez que o cristão faz parte do sacerdócio real e, como tal, tem livre acesso à majestade santa, sem precisar colocar em prática recursos ligados à Antiga Aliança (1 Pe 2.9; Hb 10.19-39).

Eduardo Araújo é presbítero, editor da revista Obreiro Aprovado, redator do jornal Mensageiro da Paz, jornalista, teólogo, conferencista e pós graduado em Docência do Ensino Superior

Sobre o autor

Roberta Marassi

Roberta Marassi é jornalista, pós-graduada em telejornalismo, editora da revista GeraçãoJC, membro da AD.

Comentários

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  • A paz do Senhor! Muito interessante, edificante e enriquecedor saber isso, grata por compartilhar. Mas, não compreendi uma coisa: eram dois artefatos, um que podia aparecer urim e tumim em ambos os lados, e o outro com urim de um lado e tumim do outro?

    • Prezada irmã Lilian, agradeço por sua pergunta que deve ser a dúvida de muitos internautas também. Na verdade a mecânica operacional desse recurso ainda é nebulosa em nossos dias. O que podemos inferir é que o sacerdote “lançava as sortes” e a resposta oferecida pelo Senhor seria “sim”, “não” ou “aguarde” (inconclusiva). Mas para chegar a essas respostas, o sobrenatural interferia a fim de levar o conhecimento da vontade revelada de Deus aos homens e guiá-los por caminhos de paz.