Coisas de Deus

Após 18 anos, jovem conhece pai

Arquivo pessoal

No final de 2015, aos 17 anos de idade, Lorena Gomes de Freitas, não poderia imaginar o que o Ano Novo lhe reservara. Numa reunião da família, em Minas Gerais, uma das tias disse a ela que Deus lhe daria um grande presente em 2016, que mudaria totalmente a sua vida.

Lorena nasceu em 10 de setembro de 1998, mas nunca conheceu o pai. A mãe, Eunice, depois que engravidou perdeu totalmente o contato com o pai da criança. “Eu nunca pensei em procurar pelo pai da Lorena. Ao sair da maternidade, falei com Deus: ´Senhor, me ajude a cuidar da minha filha; sozinha, eu não conseguirei. No mesmo momento, veio ao meu coração Isaías 41.10. De posse desta promessa, não me preocupei. Ficou nas mãos de Deus!”, testemunha a mãe.

Apesar da ausência do pai, a jovem nunca se deixou abater, e também, nunca pensou na possibilidade de um dia procurá-lo ou reencontrá-lo. Ela foi criada pela mãe e pelos avós maternos, e tinha nos tios a referência do pai que nunca teve.“Sempre cresci ao redor de muitas pessoas. Minha família é muito grande, então, não me fazia falta, por isso, não pensava em procurá-lo”, diz Lorena.

Desde muito pequena, ela sempre esteve envolvida nas atividades da igreja. A mãe congrega na Igreja Batista, mas Lorena sempre acompanhou uma das primas para a Assembleia de Deus Monte Horebe, congregação da AD em Augusto Vasconcelos, no Rio de Janeiro.

Quando a prima se casou e foi de mudança para Brasília, a mãe tentou levá-la para congregar junto com ela na Igreja Batista, mas mesmo com sete anos de idade, ela decidiu que não poderia e não queria abrir mão das responsabilidades que tinha na igreja e dos amigos que ali tinha conhecido. “Lorena sempre foi uma bênção! Boa filha, sobrinha, prima, neta, amiga e serva de Deus”, derrete-se a mãe.

O encontro com o pai e a nova família
No ano de 2014, Lorena iniciou o Ensino Médio concomitante ao curso técnico em Telecomunicações no Colégio Estadual Hebe Camargo, um colégio que é referência no Rio de Janeiro. Ela sempre se destacou nos estudos e é uma das melhores alunas do curso, sempre com muita dedicação e notas altas. No entanto, Lorena e a mãe nunca podiam imaginar que a escola também mudaria a vida da jovem em todos os sentidos.

No início de 2015, quando foi renovar a matrícula no colégio, a mãe precisou preencher um formulário dizendo o porquê de não ter o nome do pai na certidão. Ela foi informada pela direção da escola sobre a Lei do Pai Presente, onde nenhuma criança ou adolescente, matriculados em escolas públicas, podem ter a certidão de nascimento sem o nome do pai.

A escola informou que encaminharia o caso ao Ministério Público, que se responsabiliza pela investigação de paternidade. Mesmo que elas não quisessem, o Ministério Público faria a investigação até encontrar o pai. Com isso, a mãe passou as informações mínimas que tinha sobre o pai de Lorena. “Sempre deixei bem claro que, só procuraria o pai, se fosse vontade dela. Mas, nesse caso, fui obrigada pela lei. Conversei com ela sobre a possibilidade de encontrar o pai e, para minha surpresa, ela ficou bem entusiasmada. Mas, Deus já tinha os seus planos!”, conta a mãe.

Nessa época, a mãe de Lorena precisou sair da empresa onde trabalhava para ficar, em tempo integral, cuidando dos pais, já idosos. Ela conta que orou ao Senhor e colocou a situação, que agora, ficaria mais complicada. “Cinco dias depois de ter colocado minha situação para Deus, recebi o chamado do Ministério Público; estive lá mais umas quatro vezes. Fui informada pela promotora que o processo seria rápido porque teria que ser resolvido antes que Lorena completasse 18 anos. O processo durou, aproximadamente, um ano entre o início e o dia do encontro deles. Foi uma resposta para o momento que estávamos vivendo. Foi realmente no tempo de Deus!”.

Através das informações fornecidas, o Ministério Público chegou até a tia de Lorena, Rosane, que não teve nenhuma dúvida de que a jovem era sim, sua sobrinha. “Conheci primeiro minhas duas tias, e depois, meu pai, meus dois irmãos e primos. Eu sempre pensei em ser filha única, mas depois que conheci meus irmãos, achei muito legal! Eles são mais novos que eu, muito educados e gostaram de mim!”, alegra-se Lorena que, poucos meses após o que Deus havia lhe dito, passa a assinar Lorena Gomes de Freitas Nascimento.

Mas, não foi apenas o nome da jovem que mudou. Segundo ela, a vida mudou por completo. Lorena e a mãe Eunice agradecem a Deus que proporcionou tudo isso, sem que elas precisassem procurar a Justiça ou algum tipo de direito ao qual a jovem teria. “Somos gratas a Deus; à tia Rosane, por promover esse encontro; pela família maravilhosa que nos recebeu de braços abertos, e que, fazem por mim, mais do que eu poderia imaginar”.

No dia 7 de setembro, Lorena teve a oportunidade de coroar o presente e a bênção que Deus havia lhe dado na comemoração dos seus 18 anos, onde pode reunir toda a sua família, dos dois lados, além de amigos da escola e da Igreja. “Eu conheci uma nova família que me ama como se já me conhecessem há muito tempo, o carinho é enorme. E um dos meus maiores sonhos foi realizado: a minha festa de aniversário e com a família completa!”, festeja Lorena.

Revista GeraçãoJC, edição115.

Sobre o autor

Roberta Marassi

Roberta Marassi é jornalista, pós-graduada em telejornalismo, editora da revista GeraçãoJC, membro da AD.

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