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Ansiedade, companheira inseparável e indesejável!

Ilustração: Fagner Machado

Por Adriano Gomes

Considerada como o mal do século, pode acometer todos os seres humanos, pobres e ricos, doutores e analfabetos, homens e mulheres, adultos e crianças, indiscutivelmente presente em nosso dia a dia. Porta de entrada para muitas doenças psicológicas e físicas, causadora de perdas emocionais, profissionais, estudantil, financeiras e etc.

Definida como sendo um sentimento ou sensação de angústia e de preocupações exageradas quando sem um objeto definido, ou pela vontade excessiva por algo a ser alcançado que está além de seu controle, a sensação de espera, gera uma angústia trazendo consigo sintomas psicofisiológicos.

Qualquer pessoa exposta a condições normais poderá apresentar ansiedade ao falar em público, em uma entrevista de emprego, as vésperas de uma prova ou avaliação, expectativas para datas importantes como primeiro dia em um novo emprego, na faculdade, formatura, noivado, casamento, etc.

A ansiedade desencadeia uma reação psiconeurofisiológica. Por meio das células sensoriais espalhadas por todo nosso corpo, o cérebro capta as sensações e neurologicamente produz dentre outros, um neurotransmissor chamado de Noradrenalina, responsável por nos deixar alerta, ativo, motivado, porém o excesso desse neurotransmissor gera o estresse, então caso não haja intervenção acontece um efeito dominó, provocando fobias, depressão e transtornos psicológicos graves.

Quando estamos ansiosos por alguma situação, o pensamento fica recorrente e acelerado, desenvolvemos tics ou manias (tipo balançar incessantemente os pés, apertar as mãos, etc) geralmente sentimos taquicardia (coração bate intensamente), sudorese (suor excessivo), tremores, tensão muscular (dores nos músculos principalmente próximos ao pescoço), sensação de falta de ar ou asfixia, mãos frias ou suadas, boca seca, tonturas, aumento das secreções (urinárias e fecais), náuseas e sensação de engasgo, ondas de calor, calafrios, cefaleia (dor de cabeça), episódios de insônia (dificuldades para dormir, ou dormir mal, ter pesadelos), temos dificuldade de concentração, inquietação e fadiga. Apresentamos uma angústia intensa, não conseguimos ficar quieto, caminha-se de um lado para o outro, desespera-se. 

O cristão está suscetível a fazer da ansiedade sua amiga inseparável e indesejável logicamente,ao deixar a fé de lado e passar a confiar em si mesmo, em seus atributos e características pessoais. Esse risco existe e não é pequeno de nos afligirmos pelo nosso futuro, que curso escolher, que faculdade fazer, o medo de não conseguir ser alguém, ou alguém para um relacionamento, dificuldade para superar traumas, a projeção de um futuro sombrio e fracassado.

A ansiedade pode ser controlada através de ansiolíticos (psicofármacos)prescritos por médicos, através de terapias psicológicas para compreensão e elaboração de sentimentos e traumas, utilização de técnicas de respiração e relaxamento, além de atividades físicas e alimentação adequada. Mas também pode ser administrada conforme o mais antigo e atualizado manual sobre o ser humano – Bíblia Sagrada.

Somos alertados por ela a não vivermos ansiosos com respeito ao dia de amanhã, quanto ao que havemos de comer, beber ou vestir (Mt 6:25), temos a tendência de querer administrar o amanhã, sofrendo assim por algo que ainda está por vir, além de não resolvermos o futuro ainda sofremos agora, “Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo” (Tg 4:14-15). Somos advertidos através do apóstolo Paulo a não ficarmos ansiosos por coisa alguma, antes devemos apresentar a Deus em oração nossas necessidades (Fp 4.6). O apóstolo Pedro diz que devemos lançar sobre o Senhor toda a nossa ansiedade porque ele tem cuidado de nós (1 Pe 5:7).

A ansiedade tem complicações não só para o corpo, para alma como também para o espírito, atrapalha nossa jornada em tudo. Jesus chega na casa de um grande amigo seu, Lázaro. E esse tinha duas irmãs, com características e visão de mundo bem diferentes. Qualquer um nos dias de hoje, se fosse possível receber de forma física e visível a Cristo em casa, por certo sofreria uma certa euforia, ansiedade, cuidados e preparativos assim como naquele caso aconteceu.

Enquanto Maria estava atenta as palavras, a presença do Mestre, aberta a apropriar se dos ensinamentos, dos conselhos, Marta se priva do privilégio da presença de Jesus, se atormenta com cuidados casuais cotidianos, estressando se com os afazeres, perdendo o equilíbrio emocional, gerando conflitos de relacionamentos e constrangimentos. O Mestre lhe mostra que a ansiedade não é boa companhia, não acrescenta virtude alguma, pelo contrário, traz cegueira espiritual, privação de relacionamentos sadios, desenvolvimento pessoal, psicológico e espiritual (Lc 10:39-42).

Um dos homens mais bem sucedidos da narrativa bíblica pode ser avaliado como que tenha sido ansioso e aprendido como lidar com a sua ansiedade. Descobriu o segredo, a cura, “Quando a ansiedade já me dominava no íntimo, o teu consolo trouxe alívio à minha alma”(Sl 94:19).Davi nos ensina que agradar a Deus e colocar nele nossa felicidade e esperança, será o fator de equilíbrio entre o querer e o alcançar (Sl 37:4), que precisamos ter a coragem de entregar nosso caminho ao Senhor, confiar e descansar nele, sabendo que ele tudo fará por nós (Sl 37:5,7). Davi em algum momento de extrema ansiedade e a perturbação de espírito disse: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu”(Sl 42.11).

Não nos tornemos prisioneiros da ansiedade, não sejamos abatidos pela ansiedade de nosso coração (Pv: 12:25) mas nos apeguemos em que, “o ânimo sereno é a vida do corpo” (Pv 14.30). Diz a Escritura: “O coração alegre é bom remédio, mas o espírito abatido faz secar os ossos” (Pv 17.22).

“E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.”
(Fp 4.7)

Bibliografias:
– BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada: contendo o antigo e o novo testamento com referências. Tradução de João Ferreira de Almeida: revista e corrigida. Várzea Paulista – SP: Casa Publicadora Paulista, 2015.

– Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais [recurso eletrônico] :DSM-5 / [American Psychiatric Association ; tradução: Maria Inês Corrêa Nascimento … et al.] ; revisão técnica: Aristides Volpato Cordioli … [et al.]. – 5. ed. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre: Artmed, 2014.

Adriano Gomes é pastor, psicólogo clínico, teólogo, pós graduado em docência do ensino superior, doutorando em psicologia, professor, palestrante, escritor. Membro Integrante do Ministério da Família da CEMADERON, coordenador do SPEED e pastor de congregação da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Vilhena (RO).

Sugestões e críticas: adrianopsicoser@hotmail.com