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Um olhar extraordinário

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Por: Flavianne Vaz

Há pouco tempo li o livro “Extraordinário” de R. J. Palacio e assisti ao filme, de mesmo nome, que tem sido um sucesso no mundo e no Brasil. O roteiro conta a história de menino chamado Auggie, que nasceu como uma combinação genética rara, a qual resultou, entre outras complicações, em uma deformidade facial. Ele, que é sempre julgado e rotulado por seu rosto, enfrenta o grande desafio de entrar para a escola, no 5º ano, e conviver com outras crianças.
O drama gira em torno dos atritos, experiências e conflitos que se desenvolvem a partir dessa convivência entre Auggie (um garotinho normal por dentro e diferente por fora) e toda a sociedade. Muitas mensagens edificantes há no livro, mas a que mais tocou-me foi sobre o ‘olhar’ dos outros sobre o menino e a percepção de uma criança frente às dificuldades de aceitação e convivência das outras crianças e dos adultos que a cercam.
O livro Extraordinário é uma apologia à gentileza e uma convocação a pararmos de julgar pelas aparências. Além disso, traz uma confrontação à nossa idolatria pela imagem. Assim como nos desafia a termos um olhar gentil e saudável sobre o próximo e sobre a vida. E essa é uma mensagem antiga, tratada pela filosofia e pela psicologia. Mas que também foi tema de um discurso de Jesus.
Em Lucas 11:34-35 lemos: “Os olhos são como uma luz para o corpo: quando os olhos de vocês são bons, todo o seu corpo fica cheio de luz. Porém, se os seus olhos forem maus, o seu corpo ficará cheio de escuridão. Portanto, tenha cuidado para que a luz que está em você não seja escuridão.” (NTLH)
A forma como olhamos os problemas, as pessoas, os desafios, ao Senhor Jesus, a nossa própria vida tem uma influencia enorme na nossa postura, relações e decisões. A diferença entre uma pessoa pessimista e outra otimista é o olhar. Como olhamos é um fator determinante para as nossas escolhas.
O nosso olhar é construído a partir do que cremos, dos valores que carregamos, do que aprendemos e do que vivemos no passado. Nossos medos, nossos pré-conceitos, nossos desejos também influenciam nosso olhar. Nas palavras de Jesus, ele pode ser bom ou mau. E fato é que cada um é responsável pelo seu próprio olhar.
O texto bíblico citado acima deixa bem claro que precisamos avaliar o caráter do nosso olhar, afinal ele pode ser mau, egoísta, odioso, intolerante ou ao contrário, pode ser fruto de um coração bondoso, de um temperamento gentil e um caráter aliançado com a verdade e a justiça.
Fato é que a maneira como vemos o outro tem mais haver com o que somos do que com o que o outro de fato é.
Por exemplo, talvez eu tenha inseguranças pessoais e isso pode fazer-me ver no outro atitudes de desprezo a mim. Quando na verdade não houve nenhum tipo de falta de respeito. Se me sinto superior, automaticamente olharei e tratarei alguém como inferior. Se sou orgulhoso, fatalmente pensarei que outras pessoas sempre me deverão pedidos de desculpas e assim por diante.
O olhar não saudável acaba gerando trevas em nosso interior, enquanto um olhar livre, conectado com o amor e valores como respeito ao próximo, tolerância e diálogo encherá nossa vida e relacionamentos de luz.
Jesus nos desafia a avaliar o caráter do nosso olhar. O mestre sempre teve por nós um olhar extraordinário, cheio de amor. E ele nos ensina a fazer o mesmo pelas pessoas que nos cercam!

Flavianne Vaz é bacharel em história (UGF) e teologia (FTSA). É membro da Assembleia de Deus – Ministério Crescer (RJ). Atua como historiadora no Centro de Estudos do Movimento Pentecostal (Cemp/CPAD).

Sobre o autor

Roberta Marassi

Roberta Marassi é jornalista, pós-graduada em telejornalismo, editora da revista GeraçãoJC, membro da AD.

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